domingo, 6 de fevereiro de 2011

Teoria do Karma



A TEORIA DO KARMA


A palavra Karma deriva da raiz sânscrita Kr'ma, e significa "efeitos do fazer, efeitos do que se faz, reação a ação e consequência", em suma, as consequências das ações movidas pelos desejos de qualquer natureza. É uma lei eterna e imutável, invisível e absoluta que afeta a alma e os corpos sutis. A idéia de Karma na tradição hindu, e posteriormente, na budista, não possui o sentido de castigo ou punição. É uma lei universal, que coloca em equilíbrio todas as ações, pensamentos, sentimentos, palavras, desejos, paixões, praticadas durante a vida. É o outro lado da moeda, da constatação que "a toda ação corresponde uma reação igual e em sentido contrário". Karma é uma força imensa, inexorável completamente cega, sem sabedoria ou discernimento próprios. É uma força obedecendo a uma das muitas leis: apenas isto. Sua compreensão e aceitação geram sabedoria, compreensão, entendimento, e poder de superar a condição humana. Em linhas gerais, a lei do Karma deixa, entre outras, uma lição: "Nós somos os construtores de nosso destino na vida e na morte", no passado, presente ou futuro.
O Karma, como uma lei universal, afeta toda forma de existência, inclusive aos deuses, pois todo o universo reflete ação e tudo o que nele esta sofre o movimento eterno e a Lei fundamental do Karma, da qual ninguém pode fugir. Tanta a matéria como os planos mentais e emocionais sofrem as consequências das ações, num eterno ciclo de ações e reações. Tudo que age sobre o universo, age sobre os seres. As coisas, os seres e as situações aparecem e desaparecem na tela da nossa consciência. Cada ação, seja ela positiva ou negativa, grandiosa ou sórdida, espelha uma imagem da existência.
Diante da falta de compreensão desta lei, o quadro da existência humana afigura-se necessariamente decepcionante, cercado de tensões, avidez e sofrimento permanente. Somos o que desejamos, pensamos, acreditamos, falamos, fazemos e sofremos. Somos as causas e resultados de nosso próprio destino tanto na vida, na morte, como após a morte. A doutrina do Karma dentro desta cocepção traz a responsabilidade para os indivíduos, retirando da Divindade o papel de juiz e verdugo das ações humanas. Nada acontece fora do campo da ação humana, das possibilidades de, rompendo os véus da ignorância, superar os limites de suas ações e suas consequências, a reação inevitável tanto na existência atual como nas encarnações futuras.
Karma sempre haverá. Nascer e morrer, encarnar e desencarnar, são atos kármicos, geradores de mais Karma. O simples ato de existir, de ser criado gera Karma, porém esta noção nunca deve ser associada a culpa, punição, pecado, certo e errado, bem e mal, noções estas, de fundamento Judaico-Cristão, e inexistentes nas religiões orientais antigas mais esclarecidas.